Por Guilherme Wojciechowski*
Os últimos sete dias foram de mudanças no contexto político das duas maiores potências do Mercosul. Uma delas, a morte de Néstor Kirchner na Argentina, foi imprevista e afetará, diretamente, o panorama da sucessão presidencial em terras platinas; a outra, que já tinha data marcada e até bola cantada, foi a definição de quem venceria o segundo turno da eleição presidencial no Brasil.
No Paraguai, que depende do Brasil e da Argentina, inclusive, pra ter acesso ao mar, a reta final da eleição brasileira foi acompanhada com atenção pelos analistas políticos, que em seus debates e reflexões apontavam, via de regra, a candidata Dilma como a melhor opção para o país, tendo como base a continuidade da política de relacionamento com os vizinhos adotada pelo governo Lula.
Durante a campanha, José Serra deu mostras de agressividade para com os vizinhos, ao declarar que o atual modelo do Mercosul não serve (em ponto de vista que também faz parte do pensamento de setores políticos e empresariais paraguaios); e profundo desconhecimento, ao tratar as negociações entre Brasil e Paraguai sobre a usina de Itaipu como “filantropia” e ao colocar, em uma mesma sacola, os problemas do contrabando e do tráfico de drogas e armas (segundo ele, “contrabando de drogas e armas”).
Discursos de campanha à parte, a vitória de Dilma acaba sendo favorável ao relacionamento Brasil / Paraguai, não apenas pela candidata ser cria de Lula e pertencer ao mesmo partido, mas pelo fato de que, com a aliança PT/PMDB consolidada e a ampliação da maioria governista na Câmara dos Deputados e no Senado, será mais fácil para o governo brasileiro votar os projetos que lhe interessam, entre eles, a validação do acordo de Itaipu, que para entrar em vigor ainda depende de aprovação parlamentar.
Outro tema importante e que espera-se que tenha avanços com a continuidade do atual signo governista, é a aplicação da Lei dos Sacoleiros, que embora tenha sido “travada” pelo governo Lula e, quase dois anos depois de sua publicação no Diário Oficial, continuar sem sair do papel, é provável que, com PSDB/DEM no poder, tal lei, que contraria interesses da indústria e de grandes comerciantes paulistas, continuasse na gaveta onde está e dificilmente saísse à luz.
Mas se há temas, porém, que dificilmente sofreriam alterações caso o resultado das urnas fosse outro, estes temas são, certamente, os esforços para a regularização de brasileiros e paraguaios residentes ilegalmente em cada país e as políticas de cooperação em matéria de segurança e repressão aos chamados “crimes fronteiriços”. Nos planos de governo de ambos candidatos, as menções às políticas de segurança para regiões de fronteiras eram similares e até pecavam nos mesmos pontos, o que mostra que, infelizmente, ainda estamos longe de uma real solução ou compreensão dos fatos.
* Coluna escrita, originalmente, para publicação no portal Paraná Online. Para conferi-la no endereço original, clique aqui.







